3 dicas rápidas e importantes para escrever melhor

Este post foi retirado do meu livro de dicas para jovens autores, Para escritores no Wattpad, e está disponibilizado na íntegra nessa mesma plataforma.

Quando aliada a um enredo intrigante e a uma divulgação eficaz, a existência de uma boa qualidade de escrita torna-se essencial para o sucesso de um livro. Sendo assim, o mais importante a fazer é melhorá-la tanto quanto possível antes de investir em força no terceiro fator, a divulgação.

Enquanto escrevo faço uso destas três dicas, pois são úteis independentemente do género literário ou da parte que se está a escrever. Para além disso, ajudam a corrigir comportamentos errados que podemos ter e que tornam os nosso capítulos tediosos ou confusos. 

Começaremos pelo primeiro, referente ao ritmo:

Definir o ritmo de cada parte

Estudem este parágrafo. Tenham atenção aos pontos finais. É uma escrita monótona. Contém várias frases separadas. Ao lê-la o ritmo torna-se parado. Talvez até sem vida.

Agora vejam. Variando o tamanho das frases, o parágrafo ganha um balanço. Um ritmo especial. Quase como o compasso de uma música. Afinal, a música e a escrita estão ligadas, são artes. E a Arte está em tudo. 

E depois, quando se chega a um momento mais calmo, de forma a dar descanso ao leitor e a embalá-lo com alguma descrição, algo que necessite de ser levado a sério, como uma informação de mais valor, podemos investir numa frase longa e delicada. 

Utilizar um dicionário de sinónimos

Digamos que se há algo que necessito imenso quando escrevo é um dicionário de sinónimos. Pode até nem ser um livro físico, que nos obrigue a perder tempo a procurar  pela palavra em questão, mas sim um dicionário online.

É útil nos mais variados casos, como o que precisamos de outro adjetivo para não repetir o que utilizámos antes, assim como quando nos esquecemos da palavra que queremos utilizar. Para além disso, ajuda a tornar a escrita muito mais diversa e a evitar que coloquemos sempre a mesma expressão. Só não pode ser utilizado em exagero, como para dizer que a personagem se está a sentir feliz, alegre, contente, sorridente, animada e satisfeita. Só pelo adjetivo feliz percebemos isso; não é preciso insistir.

Estudar a linguagem corporal de cada emoção

Para saberem  melhor ao que me estou a referir, pesquisem "emoções na linguagem corporal" e vejam as listas intermináveis de pequenos gestos ou expressões que todos os seres humanos partilham quando sentem uma determinada emoção. Ao fazer isso, irão ficar com uma noção muito melhor destas, podendo aplicá-las no vosso livro.

Assim, caso a personagem se sinta, por exemplo, envergonhada, poderão adicionar que ela evita o contato visual, tem as mão suadas, treme ligeiramente e cora. E estas descrições irão fazer com que o leitor se sinta mais dentro da história que está a ler, tornando aquele momento muito menos superficial.
Usem e abusem destes detalhes, pois, para além de ajudarem a compreender a personagem e a sua personalidade, também dão ao leitor algo que sentir, deixando-o motivado a continuar a ler.



Para terminar, lembrem-se sempre de que a evolução na nossa escrita é lenta e pouco perceptível. Porém, se nunca desistirmos de continuar a escrever e tentarmos aprender algo novo todos os dias, não tardarão a surgir resultados positivos.

O público-alvo do nosso livro

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Dos variadíssimos motivos que existem para que a divulgação de um livro não seja tão eficaz, o fato deste elemento não ser levado em atenção é uma das mais importantes.
Neste sentido, o público-alvo é o tipo de leitores para quem estamos a escrever e envolve, por exemplo, a idade, a instrução, o país de origem,  entre outros aspetos.

Para poder explicar com mais facilidade a importância de este estar definido, irei começar por falar do mais fácil de perceber: a idade do leitor.
 
Como é natural, temas mais fortes e pesados não são desejados por leitores mais sensíveis, portanto qualquer que seja a divulgação que lhes chegue será muito menos eficiente. E o mesmo ocorre para dramas de adolescência ou passados no Ensino Médio, que pouco interessam a leitores adultos.

Da mesma forma, romances cheios de gírias e expressões idiomáticas de Portugal serão pouco cativantes para um leitor do Brasil, e o mesmo ocorre no sentido contrário. 

A escolha de um público-alvo para o nosso livro é fundamental para o sucesso da obra, pois fará com que a probabilidade da nossa divulgação resultar aumente, já que saberemos com muito mais facilidade distinguir entre quem deveremos divulgar e quem não estará interessado.

Uma forma de saber os gostos dos leitores é procurar nas suas lista de leitura o tipo de livros que lêem. Assim, temos uma visão rápida do tipo de leitor e ficamos a saber se fazem parte, ou não, do mesmo público que a nossa obra.

Para começar todo o processo, a primeira coisa a fazer é olhar para o nosso livro e fazer o seguinte estilo de perguntas:

— Qual a faixa etária que mais estará interessada neste tipo de enredo?
— A minha escrita é facilmente compreendida por alguém fora do meu país?
Feitas de forma a poder responder à questão essencial:
— Quem é o meu público-alvo e como poderei chegar a ele?
 
E assim, com uma boa reflexão crítica sobre o nosso trabalho e sobre os assuntos que ele retrata, poderemos tornar a produtividade da nossa divulgação imensamente mais eficaz.

Lidar com o ódio no mundo da escrita

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Este é um tópico que até agora não referi, porém é essencial para qualquer pessoa, principalmente quem se aventure no ramo da escrita digital.

Como já devem ter reparado, o ódio está em toda a Internet e até mesmo no Wattpad, na maior parte das vezes disfarçado de opinião ou de argumento construtivo, e no geral tende a crescer de forma proporcional ao sucesso do livro de um determinado escritor, tendo por mero objetivo o de ofender.

Por exemplo, se encontrarem uma obra com muitos erros ortográficos e com mais visualizações do que o esperado, poderão também encontrar alguém a comentar que o autor é um analfabeto ou que não sabe escrever. O que acontece é que, mesmo que isso seja verdade, temos que ter respeito por quem se dedica a publicar o que escreve, pois a educação pode variar por vários motivos, desde demográficos a económicos, e pode até mesmo estar relacionado com a idade precoce de quem está a escrever, logo espalhar o ódio só irá fazer com que esse escritor se sinta mal consigo mesmo, independentemente da qualidade do enredo que imaginou para o seu livro, e que veja o sonho de se tornar um escritor ser despedaçado. Para além disso, é óbvio que comentar uma coisa dessas não tem nenhum fundamento construtivo.

O ódio, ou hate, em inglês, é tão comum na Internet devido ao anonimato que nos é dado e pode ser encontrado em praticamente todas as redes sociais.

A pessoa pode até estar a dizer algo que faça sentido ou que contenha um pouco de verdade, mas se existir desprezo pelo nosso trabalho e, sobretudo, ofensas, podemos sempre considerar bloqueá-la de forma a que perca o acesso à nossa conta, contudo tal deve ser bem ponderado e só utilizado como última opção.

De qualquer forma, a melhor forma de lidar com ele é mantendo a serenidade, sem nunca utilizar violência verbal ou descer ao mesmo nível, pois, por vezes, o melhor a fazer é ignorar e não responder. Quem sabe se essa pessoa não está a ter um dia mau e resolveu descarregar a raiva num dos nossos capítulos?
Para terminar, lembrem-se sempre de que não fazer nada também é fazer algo, portanto não responder pode ser por vezes a melhor opção. Afinal, haters gonna hate.

Ler os nossos próprios textos antigos

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Qualquer escritor, e quando digo isso é mesmo qualquer um, desde profissionais a amadores, e passando pelos mais bem-sucedidos de sempre, melhora a sua escrita com o passar do tempo. Não é imediato, nem é direto, porém basta pegar numa obra mais antiga e compará-la com uma mais recente. Até se o fizerem com os vossos próprios textos, certamente notarão isso, e a diferença será tão maior quanto o tempo de diferença. Da mesma forma, se lerem um dos primeiros livros de um autor famoso e o compararem com um mais novo, verão que até ele teve que passar uma fase em que a qualidade da escrita era muito inferior.

Podem até considerar que já escrevem de forma boa e razoável, mas se daqui a uns meses ou até anos voltarem a ler o que criaram, é mais do que certo que irão pensar: "A sério que um dia achei que isto fosse bom?". E, se tal acontecer, dêem-se por agradecidos, pois a evolução aconteceu e isso é o mais importante para qualquer pessoa que se dedique à escrita de forma amadora ou mesmo profissionalmente.

Posso dizer-vos isto por experiência própria, pois recentemente dediquei-me a rever um livro que terminei de escrever em março deste ano e agora, em outubro, não consigo parar de pensar como é que cometi tais erros, que passam por ritmos fracos, diálogos extremamente superficiais, vocabulário pouco enriquecido e até a utilização de tempos verbais incorretos. Claro que, na altura, pensei que aquela obra estava boa ao ponto de a poder entregar a uma editora. No entanto, agora, ao relê-la, vejo que essa evolução, de facto, aconteceu. E a verdade é que foi motivada principalmente pelo fato de que nunca desisti de continuar a escrever. 

Como já tinha dito antes, não se chega à perfeição perseguindo-a. É quase como o paradoxo do hedonismo, que diz que quem persegue a felicidade é miserável, porém quem persegue outro objetivo atinge a felicidade. Neste caso aplica-se isso à perfeição, em que a melhor forma de a atingir (ou pelo menos de nos aproximarmos desta) é escrevendo novos livros e novos textos, sem nunca desistirmos de aprender e conhecer mais um pouco sobre tudo, aceitando continuamente que há sempre mais a saber e que a nossa escrita pode se tornar muito melhor do que aquilo que já é.

Escrever na 3ª pessoa

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Anteriormente dediquei um capítulo à escrita na primeira pessoa, porém a terceira também é muito utilizada e merece o seu destaque.

Neste modo de escrita, a história é descrita por um narrador que não é uma personagem no interior da narrativa e pode entrar dentro dos pensamentos mais íntimos das várias personagens. Para além disso, ao contrário da primeira pessoa, o escritor também tem muita facilidade em apresentar as descrições do espaço e do tempo.

Para quem já utilizou os dois tipos, sabe o quão são diferentes, porém a escrita na primeira pessoa pode ser mais fácil para escritores iniciantes, pois na terceira é comum haver uma certa repetição dos nomes das personagens, por exemplo:

"Emília disse que não concordava, contudo Horácio manteve a sua opinião. Já a Juventina absteve-se do assunto e não apresentou nenhum argumento. Mesmo assim, Horácio e Emília continuaram a sua conversa, até que Juventina decidiu ir embora, deixando Emília indignada."

Pode parecer óbvio, mas mesmo assim acontece frequentemente no Wattpad, pois nem sempre é fácil enquanto escritor encontrar estes pequenos pormenores nos nossos textos.

Claro que em certos géneros a terceira pessoa facilita muito o trabalho, já que, tomando por exemplo a fantasia, descrever diferentes mundos e seres não é uma tarefa simples na primeira pessoa.
No entanto, como nas histórias de terror, drama ou romance, o autor pode utilizar a primeira pessoa, pois esta permite ao leitor imaginar-se com muita mais facilidade dentro de uma personagem e ter as mesmas sensações que esta, aumentando assim o suspense e a intensidade das emoções que a leitura nos transmite.


Para terminar, quer escolham uma quer outra, lembrem-se sempre de que a escolha que fizerem não é obrigatoriamente fixa, porque até mesmo para autores profissionais é comum trocar este aspecto a meio do livro, ou mesmo após estar terminado.

O papel da música na escrita

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Se já tiverem experimentado antes, notarão que ouvir uma música triste enquanto se lê um livro pode fazer com o que tenhamos lido nos soe também mais triste, sendo que o oposto também acontece.

Então, por que não usar essa influência para melhorar a nossa escrita?
Mas como fazer isso?
Algo muito comum entre escritores profissionais é o fato de criarem uma playlist, que é um conjunto de músicas, para cada parte da história. Por exemplo, numa parte mais dramática a letra e o ritmo da música associada também o seriam.

Assim, criam um ambiente em que "mergulhar" nas sensações e descrições que estão a tentar transmitir ao leitor ficaria mais facilitado, pois nem sempre é fácil escrever um capítulo feliz enquanto estamos mais deprimidos, ou o oposto, e daí ser necessária essa influência que a música tem o poder de criar.
 Há quem atribua a cada capítulo uma música, ou quem o faça dividindo a história em várias partes. Porém, a forma como o fazem depende somente de vocês, pois nem todos os escritores têm os mesmos processos de trabalho, nem os mesmos gostos.

Por outro lado, se quiserem que os vossos leitores estejam a par dos sons que usaram para escrever aquela parte, podem colocá-los no final do livro ou no início do próprio capítulo, deixando uma nota do autor.
A aplicação do Wattpad no Android ainda disponibiliza uma ferramenta que permite colocar uma música num parágrafo e esta abre-se automaticamente na própria aplicação.

Para quem não sabe como se faz, aqui estão as instruções:
1. Abrir a aplicação e seleccionar o separador "criar";
2. Escolher a história a que se quer adicionar a música;
3. Seleccionar o capítulo em questão;
4. Mudar para o modo preview tocando no ícone do olho no canto superior direito do ecrã;
5. Manter o dedo no parágrafo a que se pretende adicionar a música e seleccioná-lo;
6. Tocar no ícone da coluna de som;
7. Pesquisar e escolher a música;
8. Tocar no + na música escolhida.

E ao fazer isso aparecerá uma coluna de som ao lado desse texto que informa os leitores de que há uma música associada a esse parágrafo. Se tiverem alguma dúvida relativa a estas instruções, não hesitem em perguntar.

Para terminar, lembrem-se de que descrever certas situações presentes na vossa história pode tornar-se mais fácil usando vários instrumentos de inspiração, entre eles a música.

Perder um capítulo no Wattpad

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Esta parte será dedicada a algo que já aconteceu a uma enorme maioria dos escritores neste site (se nunca vos aconteceu, dêem-se como sortudos!) que é escrever um capítulo, concluído ou não, e este desaparecer por completo antes de ser publicado.

Como é claro, quando isto acontece o escritor fica extremamente desmotivado e com uma grande revolta contra o Wattpad, perdendo a vontade toda de continuar a investir tempo naquele livro, principalmente se o capítulo ou capítulos que perdeu forem extensos e detalhados.

Para quem escreve no smartphone é ainda mais comum, pois quando o acesso à Internet falha as informações que introduzimos na aplicação correm sério risco de desaparecer.

Ao visitar a página dos embaixadores do Wattpad, deparei-me com vários escritores a queixarem-se desse problema, descrevendo que tinham os tais capítulos guardados na aplicação do celular e que iam guardando-os somente lá antes de serem publicados, até que um dia desapareceram completamente e a história voltou ao zero mesmo antes de ser tornada pública.

Portanto, mesmo que este problema venha algum dia a ser resolvido, o melhor a fazer é preveni-lo usando outras soluções para guardar os nossos textos.

Uma delas, para quem tem um computador, é escrever no Word ou no bloco de notas e passar posteriormente para o Wattpad, ou então o contrário, que é escrever no Wattpad e antes de sair da página onde estamos a escrever copiarmos o que foi escrito até ao momento naquele capítulo e guardarmos-o num documento.

Para quem escreve no smartphone, o recomendado é escrever numa aplicação de bloco de notas sem acesso à Internet e só depois copiar o texto para aqui. Se não tiverem essa aplicação, podem fazer o download de uma no Google Play ou na Store com muita facilidade, já que existem centenas delas grátis.

Para finalizar, lembrem-se sempre de ter um backup dos vossos livros e capítulos fora do Wattpad, já que pode acontecer alguma coisa à vossa conta que vos faça perder o acesso a ela, ou ainda uma falha que faça com que os vossos capítulos não publicados sejam apagados.

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